Tirando a vontade, Itália de Mancini não mostrou nada de novo

Itália de Mancini

A Itália de Mancini finalmente mostrou a que veio e passou longe de agradar. O empate em 1×1 com a Holanda, na segunda-feira, encerrou os primeiros compromissos da Azzurra nesta chamada nova era.

Neste período, foram três amistosos internacionais, cada qual em um nível: um difícil, um médio e um fácil. A performance diante deste cenário não poderia ser mais ordinária e previsível:

  • Derrota no jogo difícil: França 3×1 Itália
  • Empate no jogo médio: Itália 1×1 Holanda
  • Vitória no jogo fácil: Itália 2×1 Arábia Saudita

Se bem que vale uma observação no único triunfo, que veio, é verdade, mas não sem um sofrimento espantoso. Afinal, os árabes chegaram a pressionar e quase empataram. No geral, agora incluindo os outros jogos, o saldo foi decepcionante pela expectativa, mas razoável pelo trabalho, que apenas começou.

Agora, a Itália de Mancini se desfaz e vira espectadora enquanto o planeta vive a Copa do Mundo. O próximo compromisso oficial é a Liga das Nações da UEFA, que realizará sua primeira edição. No grupo da Azzurra, estão Polônia e Portugal. Nem é preciso dizer o quão competitivo será o torneio para os italianos. Basta olhar os adversários.

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Mancini não era o favorito para assumir o cargo após a queda de Giampiero Ventura, o antecessor. Porém, isso não questiona sua capacidade. Aliás, Ancelotti e Conte, os concorrentes de outrora, vivem momentos melhores nos clubes. Mesmo assim, nem imprensa, nem torcida torceram o nariz quando o anúncio foi feito.

Mas será que agora (já) há motivos para reclamar?

A Itália de Mancini

Pontos negativos

A geração ilusória
É preciso começar a questionar a qualidade de certos jogadores considerados “bons”. Dando nomes aos bois: Belotti, Verdi, Berardi e Zaza não passaram de decepções, e esta não foi a primeira vez. Cada vez mais fica a impressão de que seus respectivos clubes perderam uma chance enorme de vendê-los por um preço alto.

Falta de líderes
Se uma seleção com Buffon de capitão não conseguiu fazer um mísero gol na Suécia em 180 minutos, o que esperar dessa? A sensação que dá é que ninguém, entre os experientes, deseja ocupar a função. Neste momento, é fácil pensar em Chiellini ou De Rossi. Em 2006, tínhamos Buffon, Cannavaro, Pirlo, Gattuso, Totti, Del Piero…

Camisa
O “fator camisa” é uma baboseira sem tamanho que o futebol se acostumou a levar em consideração. Que camisa têm Manchester City e PSG? Mesmo assim, estão no topo de seus países. A Itália reforça este argumento. Os 4 títulos mundiais não entram em campo, nem vencem nada sem capacidade técnica. Algo ainda não mostrado nos jogos da Azzurra.

Pontos positivos

Mario Balotelli
Estava claro como o Mar Adriático que a Itália precisava de Balotelli e vice-versa. Mais maduro, o atacante superou indisciplina e falta de companheirismo, seus maiores defeitos em 2014. Ele esteve longe da seleção desde então, mas agora volta com ânimo para superar até mesmo os protestos racistas da própria torcida italiana.

Chance para todos
Mancini usou praticamente todos os jogadores que convocou. Pode parecer besteira ou algo trivial, mas não há método melhor para descobrir quem é quem.

Goleiros e(m) boas mãos
Desde que Buffon oficializou a saída da Juventus e aposentadoria da seleção, a interrogação foi para o gol da Itália. Nos três jogos, Mancini usou Sirigu, Donnarumma e Perin. Os três foram bem e seguros, apesar dos placares.

Vontade
Sob comando de Ventura, os críticos diziam que faltava técnica, entrosamento e qualidade, mas sobrava raça. Falso! O que se viu nos três jogos citados acima está muito (mas muito) superior à “nhaca” demonstrada nas eliminatórias da Copa. Bom, pelo menos isso.

 

 

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