Quando um céu cinza combina com ventos fortes, chove. E ninguém se surpreende com isso. Dependendo da força da tempestade, as pessoas falam a respeito, repercutem entre si, podem até gastar um tempo refletindo a respeito, mas ninguém se surpreende.
A Itália fora da Copa do Mundo se tornou a chuva, enquanto a repescagem europeia virou o céu cinza e com ventos fortes. Se a Itália vai pra repescagem, é claro que ela não vai pra Copa.
Pela terceira vez seguida, a Squadra Azzurra, quatro vezes campeã da Copa do Mundo, ficará de fora da disputa do mundial.
Em meio a tentativas de explicações construídas com muito clichê, a nazionale foi mais uma vez incapaz de vencer um adversário assumidamente inferior, desta vez a Bósnia, mas antes a Macedônia do Norte e mais atrás a Suécia. Falar em “muito estrangeiros na Serie A”, “a base destruída” e “corrupção no esporte” simplesmente não serve para justificar como um coletivo com Donnarumma, Calafiori, Bastoni, Dimarco, Tonali e Barella é incapaz de atingir um objetivo (antes) bem simples.
A derrota veio e com ela as consequências, começando pelos desligamentos.
Quem foi demitido após a Itália não ir para a Copa do Mundo?
Como um time brasileiro que cai na fase de pré-libertadores, a Itália foi demitindo ou vendo nomes de comando se desligarem voluntariamente.
Gennaro Ivan Gattuso, técnico da seleção italiana, foi um dos primeiros a perder o cargo. Na nota da federação italiana, aliás, se lê que a decisão foi tomada em conjunto por ambas as partes.
Um dia antes, porém, Gianluigi Buffon, até então ocupante do cargo de chefe de delegação, oficializou sua saída. Na prática, o ex-goleiro italiano servia como motivador e sempre ia à campo com o elenco e se posicionava ao lado de Gattuso. Não deu certo.
Por fim, Gabriele Gravini, presidente da FIGC (Federazione Italiana Giuoco Calcio), anunciou sua própria demissão, completando a trinca de quedas dos cabeças do futebol italiano em nível de representação nacional.
A Itália “zoada” até por canadenses
A interpretação fica por conta de cada um, mas na famosa “internet” muitos viram com péssimos olhos a ação promovida pela federação canadense de futebol para, no aquecimento para hospedar o mundial, oferecer a troca de camisas da Itália por uma do Canadá. Isto é, bastava um torcedor levar uma camisa da Azzurra para obter uma da seleção canadense gratuitamente.
Além de anfitrião da Copa do Mundo, o Canadá ficaria no mesmo grupo que os italianos, junto com Qatar e Suíça. Isso, obviamente, não se confirmou.
Reduto de uma enorme comunidade italiana, o Canadá apostou na promoção para ganhar mais torcedores e reforçar seu apoio na disputa do mundial, já que os italianos fracassaram mais uma vez. Na internet, o resultado foi uma chuva de críticas e menções a humilhações à seleção italiana. Na “vida real”, por outro lado, o que se viu foi uma longa fila para fazer a troca.

O bicho de 300 mil euros
No dia 4 de abril, o jornal iitaliano Repubblica publicou um artigo com o título “O último pensamento dos azzurri: um prêmio pela classificação”.
O grande tesouro do texto, porém, foi a reveleção de que os jogadores da seleção italiana estavam discutindo o pedido de um “bicho” de 300 mil euros em caso de vitória contra a Bósnia e classificação para a Copa do Mundo, o que daria cerca de 10 mil euros para cada atleta.
Segundo o artigo, Gattuso foi o responsável por aconselhar os jogadores a deixarem a ideia de lado, diante de um momento tão delicado e pedido absurdo. O efeito, de acordo com o jornal, foi um abalo na união entre staff e atletas, horas antes da importante partida contra a Bósnia.
O resultado: sem vaga e sem bicho.
O Golazzo também possui um canal no Youtube, onde estão sempre disponíveis vídeos com toda a cobertura do futebol italiano. Acesse o canal e faça sua inscrição:
Recomendados para você:

Jornalista e admirador de quase tudo que venha da Itália – especialmente gols e comida. Jamais identificado com a cobertura do campeonato italiano, fundou o Golazzo para noticiar, entrevistar e opinar sobre o calcio.



